AVALIAÇÃO FILOSOFIA POLÍTICA III

Avaliação – Filosofia Política III – Prof. Dr. Rodrigo Brandão
Redigir um texto para uma questão escolhida dentre as quatro primeiras e outro texto para a questão 5 (obrigatória para todos os alunos)
1) “Se é verdadeiro que a vulgarização das ciências fez desaparecer as qualidades guerreiras, podemos nos perguntar se devemos considerá-la como uma felicidade ou um mal. Viemos ao mundo com o único objetivo de nos assassinar uns ao outros?” (Lessing)
Comente a passagem acima relacionando-a com a defesa feita por Rousseau da virtude guerreira. Qual é o estatuto dessa defesa dentro do Discurso sobre as Ciências e as Artes?
2) A partir dos trechos seguintes, disserte sobre a questão do luxo. Comente a perspectiva de Rousseau e a de seus opositores.
a) “A embriaguez, por exemplo, é considerada por vossos sábios moralistas um vício funesto, mas isso se deve à falta de consideração dos bons efeitos que dela provêm. Porque, em primeiro lugar, aumenta a arrecadação do imposto da cerveja, um dos principais artigos do fisco de sua majestade, e, por conseguinte, promove a segurança, o poder e a glória da nação. Em segundo lugar, fornece emprego a um grande número de trabalhadores: cervejeiros, fabricantes de malte, trabalhadores, carpinteiros, fabricantes de latão, junto com os demais artesãos necessários para subministrar aos mencionados seus respectivos instrumentos e utensílios. Todos esses benefícios são produzidos pela embriaguez vulgar da cerveja forte.” (Berkeley, Alcyphron)
b) “Que seja o luxo um indício certo de riquezas; que sirva até, caso se queira, para multiplicá-las; que se deveria concluir deste paradoxo tão digno de ter nascido em nossos dias? E que se tornará a virtude, desde que seja preciso enriquecer a qualquer preço? Os antigos políticos falavam constantemente de costumes e de virtudes, os nossos só falam de comércio e de dinheiro. (...)Avaliam os homens como gado. Segundo eles, um homem só vale para o Estado pelo seu consumo;(...)”
(Rousseau, Discurso sobre as Ciências e as Artes)

3) Considere os trechos seguintes e compare a “condenação das artes” de Platão e de Rousseau. Aponte e comente tanto os pontos de aproximação quanto os de distanciamento.
a) “(Sócrates) – Portanto, quando um desses homens capacitados pela sua inteligência para adotar qualquer forma e imitar todas as coisas aparecer em nossa cidade, tencionando exibir-se com os seus poemas, cairemos de joelhos diante dele como diante de um ser divino, admirável e sedutor, mas, fazendo-lhe ver que não existe nem é permitido que exista entre nós nenhum homem como ele, o reexportaremos para outra cidade, não sem antes o termos ungido de mirra e coroado com uma grinalda de lã” (Platão, República)
b) “Sócrates começou em Atenas, o velho Catão continuou em Roma a deblaterar contra esses gregos artificiosos e sutis que seduziam a virtude e afrouxavam a coragem de seus concidadãos. (...) Roma encheu-se de filósofos e de oradores, descuidou-se da disciplina militar, desprezou-se a agricultura, adotaram-se certas seitas e esqueceu-se a pátria. Às sagradas palavras liberdade, desinteresse, obediência às leis, sucederam os nomes de Epicuro, Zenão e Arcesilas. ‘Depois que os sábios começaram a surgir entre nós’, diziam os próprios filósofos, ‘eclipsaram-se as pessoas de bem’. Até então os romanos tinham se contentado em praticar a virtude; tudo se perdeu quando começaram a estudá-la.”(Rousseau, Discurso sobre as Ciências e as Artes)
4) Disserte sobre o trecho seguinte:
“A riqueza do vestuário pode denunciar um homem opulento, e a elegância, um homem de gosto; conhece-se o homem são e robusto por outros sinais – é sob o traje rústico de um trabalhador e não sob os dourados de um cortesão, que se encontrarão a força e o vigor do corpo. A aparência não é menos estranha à virtude, que constitui a força e o vigor da alma.”(Rousseau, Discurso sobre as Ciências e as Artes)
5) Disserte sobre o trecho abaixo:
“Mas se Rousseau elimina assim os fatos na origem, é paradoxalmente para reencontrá-los na chegada: a recusa de apoiar a reconstrução de origem sobre o fato da natureza humana é precisamente o que permite reconstruir na chegada a desigualdade constitutiva, de fato, de nossas sociedades. Ou ainda, o que dá no mesmo: é somente na recusa em tomar, de saída, uma natureza humana pervertida pela natureza humana original que é possível, na chegada, desmascarar o direito como simples justificação do fato.” (BINOCHE, B. Les trois sources de la philosophie de la histoire)

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